Surto, logo existo!
Essa inquietação, meus dedos cúmplices das minhas ideias,
fermenta minha cabeça e exigem virarem palavras. Em momentos quase frito meu cérebro, as palavras martelam. Ideias que
estão presas, desejos que estão tão entocados que nem eu mesmo quero os ver. Agora
não sou nada, só corpo e estrutura. Minha consciência toma conta dos meus
atos...surto! Me perco, ai vago pela casa e me acho sentada num canto da
cozinha que mobilhei da maneira que eu queria. Ou parada olhando para o nada,
na pedreira que tenho no meu jardim. Meu corpo vaga, meu espírito sai de mim e
gira ao meu redor, como se fosse me segurar da queda que eu mesmo estou
procurando. Eu não vou cair, mas to tropeçando e dói. Não dói só a minha mente,
mas meu corpo (que já não o sinto) doem. Uma cachoeira de sangue e lagrimas
habitam no meu mediastino. Já não sei se meu coração bate por reflexo ou bate
por birra. Eu não quero dar explicações
do meu estado físico - mental, ou como eu cheguei a esse ponto. Mas preciso escrever
colocar isso para fora. Essa utopia de viver pela felicidade dos outros, não anula que as pessoas não me façam uma mulher
feliz. Não é o mundo, não são as pessoas é comigo, é interno. Essa onda de
adrenalina que toma conta de mim, devia ter um pouco de bom senso e me deixar
em paz. Não quero a calmaria, nem a paz total. Quero me achar. Preciso me
achar. E não sei quanto tempo isso vai levar, pois foge do meu lado em ser “fortinha”
a “exemplo”. Sair da zona de conforto, ser julgada pelas pessoas que não sabem
metade da minha vida, me deixa mais longe da humanidade. Eu não posso ser
daqui, não me sinto em casa, nem dentro de mim. Meu lar? Não sei? E eu penso:
-Poderia ser pior? Eu estou sendo ingrata com Deus? Eu tenho
tudo e não sei valorizar? Eu poderia ser mais feliz?
Ai abre um leque, pois cada caso é um caso, mas mesmo assim
eles se ligam e fazem uma trama única, uma pequena amostra do inferno na terra.
Eu preciso de tempo....meu tempo! Preciso respirar, olhar
para o norte e seguir, em pé até essa amostra do meu alto veneno passar! Preciso
para, respirar...para não pirar!
Tássia Vitória Machado
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