Esquisita, mas normal?
Realmente ela era esquisita! Em pleno século XXI ainda escrevia em seu diário. Um velho e encapado caderno, que ela ousava chamar de diário. Ninguém ainda nesta época tinha esse hábito. Mas ela se sentia tão bem com ele, o mundo se tornava seu e as palavras sua amigas. Realmente era esquisita. Seus gostos e atitudes eram ecléticas. Gostava de coisas loucas e absurdas. Escutava músicas que só fizeram sucesso no passado. Usava roupas curtas e degotadas em dias de sol. Cobria todo seu corpo em dias de chuva. Gostava muito de raios e ventanias, não dormia na chuva com dó dos desabrigados. Tinha dois, três, quatros amores, todos intensos e verdadeiros. Amava com uma intensidade tão grande, que quando tinha que deixá-los partir morria um pouco. Não era fúnebre, mas não desconhecia e negligenciava a morte. Não era alegre, mas geralmente estava de bom-humor. Moldava quem vivia ao seu redor, com suas palavras e persuasão. Não era fiel,...