Olhos de águia
Enquanto o mundo dorme, eu observo, vejo a barulho sexual na cama do vizinho, escuto a gota que cai de dois em dois segundo da pia do banheiro. Vejo como o forro esta sendo bem habitado pelas aranhas, passo a mão pelo meu rosto e vejo que a idade não é leal. Ela anda a cada dia que passa, não tem piedade das micro rugas que deixa em minha face. Não aguento isso! Preciso levantar, passar uma água no rosto, beber alguma coisa, talvez sair e admirar o silêncio fora do casulo. Sem maquiagem, ainda de pijama me atrevo a sentar na calçada, alguns jovens passam, outros estão no escuro se beijando, gatos fazem a festa sob os telhados, os cachorros rosnam com a liberdade dos gatos. Miro a casa do vizinho, que passa o dia inteiro a olhar os movimentos da minha casa. Nada de novo, ele ainda tem o mesmo carro e a mesma janelinha que perde seu tempo em cuidar da vida dos outros. Olho para trás e vejo minha casa, as flores e a grama que não cuidei, as folhas secas que ...