Pecados

De todos os lugares que já conheci,
mulheres que expulsei de mim,
para formar-me uma só.
Cá estou eu.
Uma uma mulher tão singular,
tão ácida de seus pecados,
que padre nenhum irá escutar.
Pecados?
Luxuria?
Bobagem!
Quem me garante que o padre é um cara do bem
que pode perdoar-me pelos pecados cometidos?
Quem nesta  sociedade  pode julgar-me com tanta justiça?
Os maiores pecados que fiz, foi conta mim mesma.
Cadê meu advogado?
Ou o promotor para garantir meus sentimentos?
Não existem.
Não há ninguém.
A casa está vazia.
Os cachorros latem.
O vizinho coloca sua cadeira de praia para analisar a minha vida
e de quer que passe pela rua.
Talvez ele seja feliz,
não olhe sua mesquinharia e infelicidade.
Julgue a minha caro vizinho!
Não ligo, lhe  faz tanto bem.
Una-se com seu lado narciso e toque pedra no meu telhado.
Não sinto.
Não consigo erguer uma palavra contra ninguém.
Meu silêncio e meu quarto com as janelas fechadas são meus aliados,
meu forte, minha companhia.
O telefone toca. Quem será a essa hora?
Não vou atender,
não quero falar.
Ainda estou me reconstituindo,
dos pecados que cometi,
contra a minha pessoa.
Das balas em forma de palavra de tomei de um amor,
que ainda sangram, fixando um pântano de magoas, sangue e solidão.
Mas um dia irão de cicatrizar, agora não!

Tássia Vitória Machado

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