Partida

Prometo querido,
quando eu partir escreverei todo dia para você.
Prometo não esquecer teu beijo,
nem os sonetos escritos ao luar.
Prometo que continuarei com a projeção
tão defeituosa que fizeste de mim.
Alimentando essa tua ilusão,
só para não te machucar;
Mas entenda eu preciso partir,
não se pode ficar só com o corpo, o físico,
sem a alma, o espírito.
Este verso não era nem para comunicar,
era somente para justificar minha ida.
Mas elas se tornam covardes quando
temos muito a fazer e pouco a falar.
Na realidade era um verso de doação,
de solidariedade, de partilhamento,
mas não se pode partir sem dores e decepções.
Por mais humana, até mesmo mais espirituosa,
a partida é dolorosa.
Tanto para quem vai ou para quem fica.
E eu tive que ir, 
e não pense que não te amei,
te amei além do possível e impossível,
mas jamais além de mim.

Tássia Vitória Machado 

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