Olhos de águia
eu observo,
vejo a barulho sexual na cama do vizinho,
escuto a gota que cai de dois em dois segundo da pia do banheiro.
Vejo como o forro esta sendo bem habitado pelas aranhas,
passo a mão pelo meu rosto e vejo que a idade não é leal.
Ela anda a cada dia que passa, não tem piedade das micro rugas
que deixa em minha face.
Não aguento isso!
Preciso levantar,
passar uma água no rosto,
beber alguma coisa,
talvez sair e admirar o silêncio fora do casulo.
Sem maquiagem, ainda de pijama me atrevo a sentar na calçada,
alguns jovens passam, outros estão no escuro se beijando,
gatos fazem a festa sob os telhados, os cachorros rosnam com
a liberdade dos gatos.
Miro a casa do vizinho, que passa o dia inteiro a olhar os movimentos
da minha casa. Nada de novo, ele ainda tem o mesmo carro e a mesma
janelinha que perde seu tempo em cuidar da vida dos outros.
Olho para trás e vejo minha casa, as flores e a grama que não cuidei,
as folhas secas que caíram da arvore que eu nunca mandei podar.
Meus cachorros dormem, já começam alguns movimentos de trabalhadores,
preparando na madrugada o seu dia.
É hora de voltar ao casulo,
tirar os óculos e voltar para minha cama,
fechar os olhos de águia
e abrir minha pupila para o sol.
É a hora de voltar a ser humana!
Tássia Vitória Machado
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