Atos do passado
-Nunca mais quero te ver!
Essa frase como muitas outras tem o poder de girar pelo universo,
com toda usa negatividade e rancor.
Jamais esquecerei o dia em subiste no carro com sangue nos olhos,
de tamanho ódio, amor e paixão misturados.
Junto a essa cena, lembro das minhas lágrimas que escorriam por minha face,
uma mistura de sangue, veneno e paixão.
Que ferida fizeste em minha alma pagã.
Que final trágico para um amor tão juvenil.
Chorei como uma louca,
por dias, noites e manhãs.
E tu não soubeste.
O pranto de solidão que havia em meu peito.
Eu lutei muito contra tudo isso,
tentando não lembrar de tudo de bom que fizemos juntos,
das cartas, canções e poesias.
Teus solos no violão,
nosso sexo ameaçado,
tuas graças para me ver sorrir,
Minhas vantagens femininas na cozinha,
Meu timbre de voz ainda em processo de evolução.
Criei em mim mesma um pântano de solidão,
e após tua partida não acreditei mais no meu amor,
nunca amei ninguém como te amei,
e você terá amado alguém tanto quanto me amou?
Terá feito músicas e declarações como fizeste para nosso amor?
Ainda anda como um músico da vida?
São tantas perguntas que tenho a te fazer,
são tantos sentimentos que preciso te falar,
mas não posso, não devo.
No fundo eu só preciso saber o porquê do nosso final,
mas temo que essa dúvida se torne um novo recomeço para mim.
Por isso te guardo,
enraizado no meu coração,
lapidado na minha alma,
tatuado na minha pele,
em cada ato que represento no palco,
este amor infantil,
que carrego e lembro diariamente.
E não sei por quanto tempo ainda vou carregar,
essa dor e saudade,
por isso não esqueça,
não esqueça,
jamais,
que nosso amor ainda existe,
eterno e profundo no meu coração!
Tássia Vitória Machado
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