Um conto de amor na beira do mar
Eu recém havia chegado ao Litoral do Sul,
trabalhava como Salva-vidas.
Todos os dias, daquele verão estavam ficando monótonos,
ás pessoas vem tão pouco á praia!
Não sei se pela poluição, radiação ou mortandade dos animais marinhos.
Só noto que cada dia as praias estão mais vazias de pessoas,
e lotadas de poluição.
Por muitas manhãs me deparava com um casal de aproximadamente 70 anos,
a senhora caminhava com muita dificuldade, chorava, sempre que encostava os pés
na areia. Ele a ajudava, falava coisas em seu ouvido, a carregava no colo até a beira da praia.
Por muitos dias eu analisava a situação do casal. Pensava que só podia ser coisa de pessoas
idosas, que não tem muito o que buscar e esperar da vida, então encontra-se numa praia deserta.
Ele sempre carregava um caixa, lembrando um pequeno baú de madeira.
Mesmo com as crises que a Senhora apresentava, ele não exitava,
a carregava como podia, junto aquela caixa velha.
Depois das crises eles sentavam na areia,
ele secava as lágrimas dela,
e conversava olhando fixamente em seus olhos.
Logo ela o abraçava o beijava e ficavam por horas rindo e olhando para o mar.
As semanas foram se passando, e por mais que minha educação me prendesse á
bons modos, a curiosidade invadia meu corpo, minha alma e espírito.
Decidi esperar o casal e tinha me convencido conversar com eles. O quê eu teria a perder?
Poucas pessoas passam por esse lugar vazio!
Esperei, por uma semana, e o casal não vinha mais a beira da praia.
Estava sozinho mesmo, ao menos me distraía com eles algumas manhãs.
Após uma semana o senhor voltou a praia,
mas desta vez estava ele e sua caixa velha.
Pulei da casa Salva-vidas e me dirigi ao senhor.
Respeitosamente perguntei como ele estava,
ele olhou fixo em meus olhos, me deu Bom dia,
relatou que se sentia bem, agradeceu minha ida até ele.
Tentei brincar, pois ele estava com o rosto triste e perguntei:
- O que senhor deixou a sua senhora em casa e trouxe este baú?
Ele olhou bem fundo em meus olhos e respondeu:
- Jovem, eu serei enterrado com essa caixa, nelas estão guardados meus melhores
e maiores segredos. Se tiver um minuto para ver minha caixa e me escutar irá entender.
Não exitei, mais do que nunca queria saber o que tinha naquele baú.
O Senhor sentou na areia e abriu a caixa, tinham uns papéis velhos,
fotos amareladas e um diário. Estava um pouco arrependido, pensei que ele teria
uma coleção de algo antigo, ou alguma coisa rara. Ele puxou uma foto do baú e falou:
- Veja jovem, este é meu maior tesouro.
Era uma foto amarelada de uma mulher muito bonita.
Ele relava:
- Este é meu amor! A dona do meu coração. Linda! Não acha?
Concordei, realmente era uma mulher muito bonita.
Perguntei sobre a senhora que ia a praia com ele todas as manhãs,
ele me mostrou novamente a foto e disse:
- Ela esta aqui nesta foto e no meu pensamento. Mas a praia ela não virá mais.
Desde jovem ele sofria de distúrbios psicológicos, e semana passada ela me deixou.
Seu espírito foi habitar um novo lar, e junto a ela foi meu amor.
Senti-me mal ao fazer esse questionamento,
como não tinha pensado que a velhinha podia ter morrido?
Disse a ele:
- Meus sentimentos senhor.
Ele colocou a mão em um dos meus ombros e falou:
- Meus sentimentos a você rapaz. Não estou de luto e respeitosamente não aceito teus
sentimentos, te dou os meus, os que vivi com ela por quase 50 anos. O que vivemos não foi
comum. A encontrei pela internet, e conversamos por dias até que nos encontramos.
Sabe jovem ela tinha um dom, uma coisa rara, uma magia que nem sei explicar. Sempre que a via, ficava nervoso, tremia, passava mal, suava.
Não acreditava, que depois de adulto alguém me deixaria assim. Estava apaixonado,
disposto a tudo para ficar com ela. E mesmo com suas crises que já eram comum na sua juventude,
eu não me importava. Enxergava além disso, via nela um pedaço dos meus sentimentos, um pedaço de mim.
Questionei a ele:
- Como vocês viveram quase 50 anos juntos? Eu não fico um ano em um relacionamento!
Ele sorriu, e disse:
- Atreva-se a viver um ano ao lado de alguém que te faça feliz por um período do dia. Que te faça
ir além dos seus limites uma vez na semana e te faça um homem orgulhoso uma vez ao mês. Nunca esquecerei nossa celebração de um ano juntos. Subimos no meu carro, ela estava muito triste naquele dia,
saímos sem rumos, com pouco dinheiro e ficamos 2 dias na beira da praia.
Não trocamos presentes, trocamos beijos, andamos pelas lojas, dançamos sem música pela rua,
assistimos os pescadores na beira da lagoa, tomamos banho gelado em pleno inverno na beira da praia, brincamos, escutávamos musicas e quando não escutávamos cantávamos.
Foi maravilhoso, estávamos longe de todos, fugidos. Cada minuto era uma festa, e quando ela começava
uma crise de choro, eu ficava nervoso e a colocava em meu peito. Por 2 dias ela não tomou medicamentos para suas crises. Meu peito a acalmava e isso me fazia um homem orgulhoso por cuidar tão bem do meu amor.Eu pensava que nunca conseguiria cuidar dela, mas naqueles momentos notei que éramos um só e que se ela estava ferida eu devia a curar. É como se sua mão esquerda ficasse lesionada, a mão direita terá que fazer um trabalho dobrado.
Já estava simpatizando com aquele senhor. Tinha muito sentido as colocações que ele falava, mas o questionei:
-Porquê escolheu viver com uma pessoa doente mentalmente desde jovem?
Ele sorriu novamente e disse:
- Amigo, todos somos doentes, todos temos feridas e enfermidade mentais, mas cada um de nós sabe a maneira de expor esses sentimentos para o mundo. Sim! Ela tinha crises de pânico, ansiedade e sofria de bipolaridade. Mas ela segurava cada coisa comigo, que pessoas que julgamos normais não suportariam. Talvez a sanidade dela a fazia especial. Pergunto-te; que jovem subiria em seu carro à noite e partiria para uma aventura, sem saber o destino que os aguarda?
Respondi como se tivesse tomado um leve tapa de luva de seda no rosto:
- Realmente Senhor, poucas talvez nenhuma faria isso.
Ele rebateu minha resposta com uma vasta gargalhada:
- Uma pessoa "normal" não faria isso! É preciso um pouco de sanidade para ser feliz. E fomos jovem! Muito felizes, dormíamos abraçados todos os dias. E neste dia que ficamos como loucos na praia, dormimos abraçados, fazíamos amor ao luar e acordávamos com o pôr-do sol.Coisas simples mas fundamentais. Olhe essa praia vazia! Mas confesso que desde minha época as pessoas já não davam valores às coisas simples.
Ele tinha razão, o mundo estava tomado de carros, casas, objetos e falsidade.
Ele olhou para mim e questionou:
- E você jovem? Onde está seu amor.
Eu respondi:
- Acho que não tenho, até então é só o mar. Me entrego ao mar como um menino, cada onda me faz sentir renovado e revigorado.
Então ele arregalou o olho e disse:
- Esta no caminho certo jovem, já tem uma paixão, da mesma forma que te entrega ao mar, eu me entregava a minha amada. Basta encontrar alguém que te complete e nada mais será entediante. Notei que esta a alguns dias aqui no Sul. Eu venho a esta praia a muito tempo. Nos últimos 5 anos ela acordava e não lembrava quem era e onde estava. Eu a acalmava, medicava e a trazia para beira-mar. Mostrava o diário que ela escreveu, fotos, poesias,coisas minhas, nossas. Mas só depois de algumas horas ela fixava o seu olhar no meu, tocava em meu peito, beijava-me e agradecia. Até a semana passada foi assim, então pela manhã eu acordei e ela estava deitada em meu peito, gelada, sem respirar. Tinha um bilhete na mão escrito "Obrigada meu amor, pela vida, mas preciso pedir licença para partir, te amo agora e sempre." E ela partiu e agora estou aqui com esse velho baú e uma imensa saudade.
O senhor estava com os olhos cheios de lágrimas, eu não sabia o que fazer. Imaginando se ele entrasse em pânico. Só olhei para o céu e pedi a Deus que um anjo aparecesse e acalmasse esse senhor. Olho para o lado e vejo uma mulher, parecida com a da foto que o senhor tinha me mostrado. Realmente linda, perfeita,
as ondas estavam em sincronia com o movimento do seu quadril e cabelo. Ela usava um vestido branco, parecia uma miragem. Já assustado toquei o senhor e apontei a moça.
Ele sorriu e gritou:
- Lavínia! Estou aqui minha filha!
Aquela miragem de mulher vinha em nossa direção, ela o abraçou e eu senti o perfume dela tomar conta do meu peito. Ela me olhou e disse:
- Bom Dia! A praia esta linda!
Eu fiquei como o senhor havia me relatado quando reencontrou sua amada, nervoso, trêmulo, um menino. Só respondi:
- Sim Lavínia esta muito linda, linda demais.
O senhor notou meu estado, nos apresentou, disse que ela ficaria um tempo na casa dele.Eu só queria a oportunidade de tocá-la. Ele bem sabia minhas intenções. Virou-se para Lavínia e falou:
- Bem minha filha, este jovem cuidou de mim e de sua mãe por algumas manhãs nesta praia. Ele ficava distante mas sempre atento. Pergunte a ele como ela estava nestes últimos dias, ele te dirá de uma maneira bem diferente da minha. Eu vou em casa guardar esse meu baú, ele pesa um pouco. Aproveitem o resto da manhã na beira do mar.
Velhinho sábio! Ele beijou a testa da filha e partiu com aquele baú, ficamos eu e ela na beira do mar. Ela relatou sobre sua vida, de quem foi a mãe dela, de quem é o pai dela, pessoas muito importantes. Eu relatei do esforço do senhor diariamente em fazer a mãe dela feliz. Ela sorriu e falou:
- Isso é amor de verdade, acho que esta em extinção!
Eu concordei e perguntei a ela se não queria entrar no mar. Com um pouco de receio pois as pessoas não entram no mar, com medo da poluição e radiação que há nele.
Ela virou-se e falou:
- Acha que eu sou louca!
Fiquei nervoso, gelado e quando ai me desculpar ela exclamou:
- Acha que sou louca, de vir até aqui e não mergulhar neste mar maravilhoso! Sim sou louca! Entro no mar, de vestido e tudo, pois para o mar não podemos ser caretas.
Naquela frase, eu entendi o que o senhor falava sobre viver e amar, em fim encontrei meu amor,
meu pedaço de mar, fruto de uma conversa nada convencional com um senhor sensacional.
Hoje, já não me entrego só para o mar, também entrego ao meu amor.
Que modéstia parte será vivido também por 50 anos ou mais, foi encontrado na beira do mar,
o lugar que eu me sentia em casa. Já abandonado pelas pessoas, mas um ponto fixo para os apaixonados.
Então entendi, que ela era uma parte minha minha, assim como a senhora e aquele senhor, como o mar, brava ou não, com ondas e sinuosidades, simplesmente perfeita para mim, o meu grande amor.
http://www.youtube.com/watch?v=EAsgA4x31Lw
Em especial para meu grande amor! Te amo!
Tássia Vitória Machado
trabalhava como Salva-vidas.
Todos os dias, daquele verão estavam ficando monótonos,
ás pessoas vem tão pouco á praia!
Não sei se pela poluição, radiação ou mortandade dos animais marinhos.
Só noto que cada dia as praias estão mais vazias de pessoas,
e lotadas de poluição.
Por muitas manhãs me deparava com um casal de aproximadamente 70 anos,
a senhora caminhava com muita dificuldade, chorava, sempre que encostava os pés
na areia. Ele a ajudava, falava coisas em seu ouvido, a carregava no colo até a beira da praia.
Por muitos dias eu analisava a situação do casal. Pensava que só podia ser coisa de pessoas
idosas, que não tem muito o que buscar e esperar da vida, então encontra-se numa praia deserta.
Ele sempre carregava um caixa, lembrando um pequeno baú de madeira.
Mesmo com as crises que a Senhora apresentava, ele não exitava,
a carregava como podia, junto aquela caixa velha.
Depois das crises eles sentavam na areia,
ele secava as lágrimas dela,
e conversava olhando fixamente em seus olhos.
Logo ela o abraçava o beijava e ficavam por horas rindo e olhando para o mar.
As semanas foram se passando, e por mais que minha educação me prendesse á
bons modos, a curiosidade invadia meu corpo, minha alma e espírito.
Decidi esperar o casal e tinha me convencido conversar com eles. O quê eu teria a perder?
Poucas pessoas passam por esse lugar vazio!
Esperei, por uma semana, e o casal não vinha mais a beira da praia.
Estava sozinho mesmo, ao menos me distraía com eles algumas manhãs.
Após uma semana o senhor voltou a praia,
mas desta vez estava ele e sua caixa velha.
Pulei da casa Salva-vidas e me dirigi ao senhor.
Respeitosamente perguntei como ele estava,
ele olhou fixo em meus olhos, me deu Bom dia,
relatou que se sentia bem, agradeceu minha ida até ele.
Tentei brincar, pois ele estava com o rosto triste e perguntei:
- O que senhor deixou a sua senhora em casa e trouxe este baú?
Ele olhou bem fundo em meus olhos e respondeu:
- Jovem, eu serei enterrado com essa caixa, nelas estão guardados meus melhores
e maiores segredos. Se tiver um minuto para ver minha caixa e me escutar irá entender.
Não exitei, mais do que nunca queria saber o que tinha naquele baú.
O Senhor sentou na areia e abriu a caixa, tinham uns papéis velhos,
fotos amareladas e um diário. Estava um pouco arrependido, pensei que ele teria
uma coleção de algo antigo, ou alguma coisa rara. Ele puxou uma foto do baú e falou:
- Veja jovem, este é meu maior tesouro.
Era uma foto amarelada de uma mulher muito bonita.
Ele relava:
- Este é meu amor! A dona do meu coração. Linda! Não acha?
Concordei, realmente era uma mulher muito bonita.
Perguntei sobre a senhora que ia a praia com ele todas as manhãs,
ele me mostrou novamente a foto e disse:
- Ela esta aqui nesta foto e no meu pensamento. Mas a praia ela não virá mais.
Desde jovem ele sofria de distúrbios psicológicos, e semana passada ela me deixou.
Seu espírito foi habitar um novo lar, e junto a ela foi meu amor.
Senti-me mal ao fazer esse questionamento,
como não tinha pensado que a velhinha podia ter morrido?
Disse a ele:
- Meus sentimentos senhor.
Ele colocou a mão em um dos meus ombros e falou:
- Meus sentimentos a você rapaz. Não estou de luto e respeitosamente não aceito teus
sentimentos, te dou os meus, os que vivi com ela por quase 50 anos. O que vivemos não foi
comum. A encontrei pela internet, e conversamos por dias até que nos encontramos.
Sabe jovem ela tinha um dom, uma coisa rara, uma magia que nem sei explicar. Sempre que a via, ficava nervoso, tremia, passava mal, suava.
Não acreditava, que depois de adulto alguém me deixaria assim. Estava apaixonado,
disposto a tudo para ficar com ela. E mesmo com suas crises que já eram comum na sua juventude,
eu não me importava. Enxergava além disso, via nela um pedaço dos meus sentimentos, um pedaço de mim.
Questionei a ele:
- Como vocês viveram quase 50 anos juntos? Eu não fico um ano em um relacionamento!
Ele sorriu, e disse:
- Atreva-se a viver um ano ao lado de alguém que te faça feliz por um período do dia. Que te faça
ir além dos seus limites uma vez na semana e te faça um homem orgulhoso uma vez ao mês. Nunca esquecerei nossa celebração de um ano juntos. Subimos no meu carro, ela estava muito triste naquele dia,
saímos sem rumos, com pouco dinheiro e ficamos 2 dias na beira da praia.
Não trocamos presentes, trocamos beijos, andamos pelas lojas, dançamos sem música pela rua,
assistimos os pescadores na beira da lagoa, tomamos banho gelado em pleno inverno na beira da praia, brincamos, escutávamos musicas e quando não escutávamos cantávamos.
Foi maravilhoso, estávamos longe de todos, fugidos. Cada minuto era uma festa, e quando ela começava
uma crise de choro, eu ficava nervoso e a colocava em meu peito. Por 2 dias ela não tomou medicamentos para suas crises. Meu peito a acalmava e isso me fazia um homem orgulhoso por cuidar tão bem do meu amor.Eu pensava que nunca conseguiria cuidar dela, mas naqueles momentos notei que éramos um só e que se ela estava ferida eu devia a curar. É como se sua mão esquerda ficasse lesionada, a mão direita terá que fazer um trabalho dobrado.
Já estava simpatizando com aquele senhor. Tinha muito sentido as colocações que ele falava, mas o questionei:
-Porquê escolheu viver com uma pessoa doente mentalmente desde jovem?
Ele sorriu novamente e disse:
- Amigo, todos somos doentes, todos temos feridas e enfermidade mentais, mas cada um de nós sabe a maneira de expor esses sentimentos para o mundo. Sim! Ela tinha crises de pânico, ansiedade e sofria de bipolaridade. Mas ela segurava cada coisa comigo, que pessoas que julgamos normais não suportariam. Talvez a sanidade dela a fazia especial. Pergunto-te; que jovem subiria em seu carro à noite e partiria para uma aventura, sem saber o destino que os aguarda?
Respondi como se tivesse tomado um leve tapa de luva de seda no rosto:
- Realmente Senhor, poucas talvez nenhuma faria isso.
Ele rebateu minha resposta com uma vasta gargalhada:
- Uma pessoa "normal" não faria isso! É preciso um pouco de sanidade para ser feliz. E fomos jovem! Muito felizes, dormíamos abraçados todos os dias. E neste dia que ficamos como loucos na praia, dormimos abraçados, fazíamos amor ao luar e acordávamos com o pôr-do sol.Coisas simples mas fundamentais. Olhe essa praia vazia! Mas confesso que desde minha época as pessoas já não davam valores às coisas simples.
Ele tinha razão, o mundo estava tomado de carros, casas, objetos e falsidade.
Ele olhou para mim e questionou:
- E você jovem? Onde está seu amor.
Eu respondi:
- Acho que não tenho, até então é só o mar. Me entrego ao mar como um menino, cada onda me faz sentir renovado e revigorado.
Então ele arregalou o olho e disse:
- Esta no caminho certo jovem, já tem uma paixão, da mesma forma que te entrega ao mar, eu me entregava a minha amada. Basta encontrar alguém que te complete e nada mais será entediante. Notei que esta a alguns dias aqui no Sul. Eu venho a esta praia a muito tempo. Nos últimos 5 anos ela acordava e não lembrava quem era e onde estava. Eu a acalmava, medicava e a trazia para beira-mar. Mostrava o diário que ela escreveu, fotos, poesias,coisas minhas, nossas. Mas só depois de algumas horas ela fixava o seu olhar no meu, tocava em meu peito, beijava-me e agradecia. Até a semana passada foi assim, então pela manhã eu acordei e ela estava deitada em meu peito, gelada, sem respirar. Tinha um bilhete na mão escrito "Obrigada meu amor, pela vida, mas preciso pedir licença para partir, te amo agora e sempre." E ela partiu e agora estou aqui com esse velho baú e uma imensa saudade.
O senhor estava com os olhos cheios de lágrimas, eu não sabia o que fazer. Imaginando se ele entrasse em pânico. Só olhei para o céu e pedi a Deus que um anjo aparecesse e acalmasse esse senhor. Olho para o lado e vejo uma mulher, parecida com a da foto que o senhor tinha me mostrado. Realmente linda, perfeita,
as ondas estavam em sincronia com o movimento do seu quadril e cabelo. Ela usava um vestido branco, parecia uma miragem. Já assustado toquei o senhor e apontei a moça.
Ele sorriu e gritou:
- Lavínia! Estou aqui minha filha!
Aquela miragem de mulher vinha em nossa direção, ela o abraçou e eu senti o perfume dela tomar conta do meu peito. Ela me olhou e disse:
- Bom Dia! A praia esta linda!
Eu fiquei como o senhor havia me relatado quando reencontrou sua amada, nervoso, trêmulo, um menino. Só respondi:
- Sim Lavínia esta muito linda, linda demais.
O senhor notou meu estado, nos apresentou, disse que ela ficaria um tempo na casa dele.Eu só queria a oportunidade de tocá-la. Ele bem sabia minhas intenções. Virou-se para Lavínia e falou:
- Bem minha filha, este jovem cuidou de mim e de sua mãe por algumas manhãs nesta praia. Ele ficava distante mas sempre atento. Pergunte a ele como ela estava nestes últimos dias, ele te dirá de uma maneira bem diferente da minha. Eu vou em casa guardar esse meu baú, ele pesa um pouco. Aproveitem o resto da manhã na beira do mar.
Velhinho sábio! Ele beijou a testa da filha e partiu com aquele baú, ficamos eu e ela na beira do mar. Ela relatou sobre sua vida, de quem foi a mãe dela, de quem é o pai dela, pessoas muito importantes. Eu relatei do esforço do senhor diariamente em fazer a mãe dela feliz. Ela sorriu e falou:
- Isso é amor de verdade, acho que esta em extinção!
Eu concordei e perguntei a ela se não queria entrar no mar. Com um pouco de receio pois as pessoas não entram no mar, com medo da poluição e radiação que há nele.
Ela virou-se e falou:
- Acha que eu sou louca!
Fiquei nervoso, gelado e quando ai me desculpar ela exclamou:
- Acha que sou louca, de vir até aqui e não mergulhar neste mar maravilhoso! Sim sou louca! Entro no mar, de vestido e tudo, pois para o mar não podemos ser caretas.
Naquela frase, eu entendi o que o senhor falava sobre viver e amar, em fim encontrei meu amor,
meu pedaço de mar, fruto de uma conversa nada convencional com um senhor sensacional.
Hoje, já não me entrego só para o mar, também entrego ao meu amor.
Que modéstia parte será vivido também por 50 anos ou mais, foi encontrado na beira do mar,
o lugar que eu me sentia em casa. Já abandonado pelas pessoas, mas um ponto fixo para os apaixonados.
Então entendi, que ela era uma parte minha minha, assim como a senhora e aquele senhor, como o mar, brava ou não, com ondas e sinuosidades, simplesmente perfeita para mim, o meu grande amor.
http://www.youtube.com/watch?v=EAsgA4x31Lw
Em especial para meu grande amor! Te amo!
Tássia Vitória Machado

Perfeito impossível não chorar lendo! <3
ResponderExcluirObrigada! Amo-te!
ResponderExcluirSe existe um texto que nunca canso de de ler e ler novamente esse! Perfeito!
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