Bola de neve

Andando pelas sepulturas de um cemitério,
onde fui ao velório de um jovem que morreu aos 20 anos de câncer.
Analisando as datas de nascimento e morte,
tumba a tumba,
choquei-me com a agressividade da partida de pessoas jovens.

Revendo um levantamento do IBGE grande parte dos jovens
entre sua pré juventude morrem de overdose, tiros, assassinatos ou pelo tráfico.


Me pergunto:
Onde essa juventude enfiou os bons costumes de auto valorização humana?
Não só pelo uso  excessivo de drogas e álcool ( que aliás é maior porta de entrada para outras drogas).
mas por uma sociedade inteira que não se mobiliza em prol de investimentos a educação e segurança.

Temo pelos meus filhos, ainda que não tenho, soltos em uma sociedade onde fechar um "baseado" é legal e foda-se a sociedade. A cada grama de maconha, um menino ou menina acabam entrando no tráfico,
largando os estudos em busca de uma ilusão de curta projeção.
E ai? A culpa é do governo?
Sim, de certa forma é, mas também dos usuários de várias rendas que ajudam esse mercado paralelo.

Vejo jovens que morrem de câncer, acidentes e casualidades que só um ser maior pode explicar essa desaventura em levar futuros planejados e não executados. Minha fé sabe que existe um plano maior.
Mas não posso ser movida só pela minha fé. Minha razão, minha humanização não é a favor de ver jovens lindos, com futuros brilhantes "fechando um baseado na esquina de casa".

Já vi muita gente usar e não viciar-se, já vi pessoas usando escondido e nunca lagar o hábito. Já vi pessoas em ataques de overdose achando que "uma cheirada" não iria levar a tal situação.
Ai começa um processo de ridicularização, o jovem com overdose entra no hospital, pois tem prioridade,
os médicos são obrigados a salvar sua vida, ele tira o lugar de pessoas que realmente necessitam estar ali para um atendimento médico. Geralmente recupera-se e volta para uma "maconha", "uma fileira de pó"," uma droga sintética", "uma pedrinha de crack" e novamente entra em estado de miséria humana.

Quem paga por isso? Primeiramente nós mesmos, através dos nossos impostos que repercutem em casas de passagens e clinicas públicas de reabilitação. Depois vejo o peso desta massacrante avalanche tomar a família, os amigos, as pessoas queridas que não apoiam essa escolha. A cada morte por drogas uma mãe, um pai, um irmão, um avó morrem também. Pelo desgosto, pela falta de esperança e desespero.
A cada jovem que entra na missão de traficar uma família e entes queridos correm riscos ou morrem psicologicamente pela perda, ou futura perda.

Então, Jovem, criança até mesmo adulto não entre nesta estatística de morte, se for morrer, morra pelo acaso, pelo destino, pela sua hora. Não alimente o tráfico, já não basta alimentar um governo corrupto?
É sim uma bola de neve, alguns policias corrompidos, um governo podre que alimenta uma educação barata. Rodar aluno não pode, geralmente o MEC não permite, para não aumentar o número de analfabetos no Brasil... números, mesmo que ele não tenha sido alfabetizado! É lei, e dar bolsa família para manter a criança e uma prole de irmãos na escola pode! Uma conscientização para um balanceamento familiar, é desumano. Mas cada criança que nasce em condições de miséria para gerar um rendinha familiar....pode!

Desde a constituição é podre, a lei nunca é clara, sempre haverá uma lei superior, para o presidiário, o corrupto, o assaltante, play boy que fuma sua maconha para relaxar. Mas quem lida no dia-a dia, quem assiste e sente a morte prematura de jovens e criança; a lei fica bem clara . Faça seu papel, eduque! Como se a educação básica dependesse da escola. Para o médico que atende em condições precárias, salve! Como se a escolha  fosse consequência do seu cargo. Ao educador social, atenda! Como se o sistema e  o atendido estivessem dispostos ao atendimento. Aos policiais de operações especiais, mate! Quem esta incomodando!

A lei é clara, a justiça é cega, os jovens morrem de overdose, tiros, assaltos, crimes e a sociedade assiste e bate palmas, como se o Brasil ainda não fosse um país de precariedade!

Tássia Vitória Machado


Comentários

  1. Ótimos apontamentos! Lamentavelmente são muitos os fatores envolvidos aí, política, religião, mídia, tradições familiares (nem sempre "boas"), gestão escolar, professorado, violência institucionalizada, falta de conexões com a natureza, de saúde mental (etc etc etc.). A ideia é que possamos dialogar mais com os jovens, as maiores vítimas destes processos perversos, de modo que façamos nossa parte - nem que seja minimamente não é? -, com persistência, segurança, firmeza, sensatez, estudo e amor. Muitas coisas maravilhosas já acontecem, nem sempre noticiadas, apresentando ensejos de evolução e confirmando que mudanças para melhor são possíveis, por meio de protagonismos inéditos, inovadores.. Continuemos na busca, em movimento..

    ResponderExcluir
  2. Com certeza Marquinhos... belas palavras!!! É isso ai!!!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

ACHO QUE ESTOU PRONTA!

Eu e Você

Eu mudo o tempo todo?